Quais doenças os peixes podem adquirir?

Os peixes podem adquirir patógenos que estejam presentes na água ou de outros indivíduos e fômites. A gravidade da doença dependerá de fatores associados ao indivíduo (imunidade) e ambiente (qualidade da água, densidade populacional e manejo). Quando ocorre um desequilíbrio entre o ambiente e indivíduo, ocorre a infecção, podendo apresentar sinais clínicos ou não (portadores). Com isso, os peixes podem ser parasitados por ectoparasitas ou endoparasitas, como também por bactérias, fungos ou vírus.

Qual a importância da realização do diagnóstico?

Para entendermos a importância do diagnóstico, devemos pensar que os peixes podem apresentar dois destinos: consumo humano ou uso ornamental. No primeiro caso é fundamental o conhecimento do agente etiológico da doença, pois alguns parasitos e bactérias podem causar doença no consumidor. Quando são de origem ornamental, podem levar a mortalidade, causando um prejuízo econômico significativo.

Como coletar amostras de parasitos para diagnóstico?

No caso de endoparasitas, estes podem ser coletados e acondicionados em frascos herméticos e devidamente identificados. Quando os parasitas estiverem vivos é importante colocá-los em água com temperatura de 60ºC e em seguida no fixador, que pode ser álcool 70% ou AFA (álcool, formol e ácido acético).

Quando forem observados ectoparasitas, podem ser feitos raspados de pele e/ou brânquias com lâminas de vidro, acondicionando as mesmas em um frasco contendo água até metade do recipiente em temperatura de 60ºC, seguido de agitação e adição de álcool 70% até completar o frasco.

Como coletar amostras para diagnóstico de bactérias, vírus ou fungos?

Quando se deseja fazer a cultura e isolamento, deve-se enviar peixes pequenos vivos com lesão ou moribundos em um recipiente contendo 1/3 de água do viveiro ou aquário e 2/3 de oxigênio. Esse material deve ser colocado em um local contendo gelo reciclável para reduzir o metabolismo e garantir que chegue vivo ao laboratório.

Caso o solicitante desejar realizar o exame histopatológico, podem ser coletados fragmentos constituídos de parte com lesão e sem lesão de 1 cm³, acondicionados em frascos herméticos contendo formol 10%.

Como coletar amostras para diagnóstico molecular?

Devem ser coletados fragmentos de tecido, encaminhado o peixe recém morto (envolto em papel alumínio, com identificação e acondicionado em um isopor contendo gelo reciclável) ou vivo (em um recipiente contendo 1/3 de água do viveiro ou aquário e 2/3 de oxigênio). Para tanto, deve-se coletar de forma asséptica e estéril, colocando o fragmento em um recipiente hermético e congelá-lo no freezer até o encaminhamento da amostra. Quando o transporte for menos de 4 horas, poderão serem encaminhadas amostras refrigeradas. Se houver suspeita de vírus RNA, a amostra deve ser acondicionada em um frasco contendo RNA later para preservação do material genético.

Sobre nossa convidada:

Marianna Vaz Rodrigues

Médica veterinária pós-doutora em doenças de peixes na UNESP

Instituto de Biotecnologia

Unesp – Botucatu – São Paulo  

Entendendo um pouco sobre doenças genéticas.

O que são enfermidades genéticas?

São doenças decorrentes de alterações nos genes, principalmente provocadas por mutações no DNA. Estas mutações podem provocar alterações visíveis no animal ou afetar negativamente a performance.

Como é adquirida?

O gene é formado por dois alelos, sendo que o filhote recebe um alelo da mãe e outro do pai. Desta forma, mesmo que os pais sejam saudáveis, eles podem ser carreadores para uma determinada mutação e, ao cruzarem podem transmitir os alelos mutados. O filhote pode mostrar alterações ou a doença pode se manifestar na fase adulta.

Sendo assim, precisamos definir alguns conceitos:

  • Enfermidade genética dominante: é aquela em que a presença de apenas um alelo mutado (herdado da mãe ou do pai) já propicia o aparecimento dos sinais clínicos. Em alguns casos, quando o animal tem os dois alelos mutados, os sinais clínicos podem ser mais graves.

 

  • Enfermidade genética recessiva: é aquela em que o animal só terá a manifestação clínica quando herdar dois alelos mutados, um da mãe e outro do pai. Nesse tipo de doença, quando o animal tem apenas um alelo mutado ele é clinicamente normal e é chamado de carreador.

Todas as espécies animais podem ter mutação?

Sim. Assim como o homem, todas as espécies podem ter doenças genéticas. Várias mutações já foram descritas nas principais especeis de animais domésticos (cães, gatos, cavalos, bovinos, ovinos, caprinos, búfalos, etc). Como as enfermidades estão sendo diagnosticadas com maior frequência e como algumas delas podem não cursar com sinais nos primeiros meses de vida, é fundamental ter o filhote testado antes de que seja adquirido. Este teste deve ser solicitado ao criador antes da venda do filhote (criadores esclarecidos já os realizam de forma usual em todos os filhotes colocados a venda). Em caso de dúvida, o Médico Veterinário pode orientar quanto aos testes necessários.

Existem tratamentos que podem curar definitivamente uma enfermidade genética?

Não. Em alguns casos, o problema genético já é observado ao nascimento, mas em outros os sinais clínicos só aparecem na fase adulta. Mas embora não tenham cura, algumas delas podem ser tratadas de forma que os sinais clínicos sejam amenizados fazendo com que o animal tenha uma vida mais confortável.

Como é feito o diagnóstico?

Usualmente é necessário realizar exames laboratoriais para confirmar a doença ou detectar os animais carreadores. Estes exames se baseiam na “leitura do DNA” e podem ser feitos utilizando amostras do animal, como por exemplo:

  • Sangue total (1 ml) colhido com anticoagulante (EDTA) – Usado para qualquer espécie.

 

  • Bulbo piloso, cerca de 30 bulbos colhidos manualmente. Pela facilidade de coleta, esta amostra é mais utilizada em equinos, bovinos e búfalos.

 

  • Amostras de saliva – pode-se coletar com um swab. Embora seja principalmente utilizada em cães, chamamos a atenção para que o animal fique sem contato com outros animais e nem compartilhe brinquedos ou recipientes de alimentação por pelo menos 4 horas. Assim, evita-se a contaminação com saliva de outros animais.

 

Em breve, falaremos mais sobre as principais mutações que acometem os animais domésticos.

 

Sobre nosso convidado:

José Paes de Oliveira Filho

Prof. Ass. Dr. – DCV – FMVZ – Unesp

Clínica de Grandes Animais

Laboratório de Biologia Molecular da Clínica Veterinária

Depto. Clínica Veterinária FMVZ Unesp – Botucatu – São Paulo  

Como obter altíssima sensibilidade e especificidade em seus diagnósticos?

 

A identificação de patógenos em amostras biológicas oriundas de animais com suspeita de alguma infecção baseada em amplificação de ácidos nucleicos tornou-se comum em ambientes clínicos veterinários. A identificação rápida permite que o paciente seja colocado em terapia específica, evitando que tratamentos sem adequada especificidade sejam utilizados.

Os métodos baseados em ácidos nucleicos detectam sequências de DNA ou RNA específicas do patógeno, são altamente específicos e sensíveis e podem ser usados para qualquer agente patogênico (exceto Prions que são apenas proteínas e não apresentam DNA ou RNA).

Como cada teste é específico para uma única espécie ou gênero do patógeno, o clínico deve conhecer as possibilidades de diagnóstico e solicitar testes em conformidade.

Por isso o papel do veterinário nesse processo de determinar a suspeita é fundamental. Apesar de existirem técnicas capazes de detectar a existência de vários patógenos em uma amostra, independente de suspeita, isso está disponível apenas em pesquisa e tem elevado custo. A adequada suspeita clínica, juntamente com material biológico colhido adequadamente e no período onde a possibilidade de presença do agente é maior, associados com técnicas de altíssima sensibilidade e especificidade analíticas resultam também em elevada sensibilidade e especificidade diagnóstica. Hoje a melhor técnica laboratorial que encontra essa característica é a PCR em tempo real ou qPCR (PCR quantitativa)

Isso facilita muito o clínico veterinário na hora de interpretar os resultados.

Então, para sucesso no diagnóstico é necessário:

  • Suspeita clínica adequada
  • Material biológico colhido adequadamente e no período onde há maior chance da presença do patógeno
  • Técnicas de altíssimas sensibilidade e especificidade analíticas (como a qPCR) *

 

*- Procure sempre um laboratório confiável, com experiência e controle de qualidade.

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